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Glicose pós-refeição: você sabe o valor normal?

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    Redator
  • 25 de mar.
  • 3 min de leitura

Para pessoas sem diabetes, o valor considerado normal de glicose no sangue (glicemia) após uma refeição é de até 140 mg/dL, medido cerca de duas horas após o início da alimentação. Para adultos com diabetes, o ideal é manter a glicemia abaixo de 180 mg/dL nesse mesmo intervalo. Esses parâmetros ajudam a avaliar se o organismo está conseguindo regular adequadamente os níveis glicêmicos.




Antes das refeições, a glicemia normal costuma ser de até 99 mg/dL em indivíduos sem diabetes. No caso de pessoas com a doença, recomenda-se manter valores entre 80 e 130 mg/dL em jejum, como meta terapêutica.


Valores persistentemente acima desses limites podem indicar hiperglicemia, enquanto níveis abaixo deles — especialmente inferiores a 70 mg/dL — podem caracterizar hipoglicemia.


Sobe e desce

O nível de glicose no sangue resulta do equilíbrio entre dois hormônios produzidos pelo pâncreas: insulina e glucagon. A insulina reduz a glicemia ao diminuir a produção de glicose pelo fígado e aumentar sua captação pelos tecidos sensíveis à insulina, como músculos e tecido adiposo. Ela também estimula o uso da glicose como fonte de energia e inibe a quebra de gorduras.


O glucagon exerce efeito oposto: estimula o fígado a liberar glicose na corrente sanguínea, principalmente por meio da glicogenólise (quebra do glicogênio hepático). Em situações de jejum prolongado, também estimula a gliconeogênese, que é a produção de glicose pelo fígado (e, em menor grau, pelos rins) a partir de substratos como lactato, alanina (proveniente do músculo) e glicerol (proveniente do tecido adiposo). Além disso, favorece a formação de corpos cetônicos a partir de ácidos graxos, preservando a glicose para o cérebro.


Esse sistema funciona por um mecanismo de retroalimentação: quando a glicemia se eleva após uma refeição, há aumento da secreção de insulina, promovendo a entrada de glicose nas células. À medida que os níveis retornam aos valores de jejum (em torno de 80 a 90 mg/dL), a secreção de insulina diminui.

Quando a glicemia cai, ocorre estímulo à liberação de glucagon, que aumenta a produção hepática de glicose e ajuda a evitar quedas excessivas dos níveis sanguíneos.


Pessoas com diabetes apresentam alterações nesse mecanismo de ajuste hormonal, o que dificulta o controle adequado da glicemia.


Diabetes tipo 1 e tipo 2

No diabetes tipo 1, ocorre destruição das células betapancreáticas, levando à deficiência absoluta de insulina. Sem esse hormônio, a glicose não é adequadamente captada pelos tecidos e permanece elevada na circulação.


Já no diabetes tipo 2, embora a insulina ainda seja produzida — especialmente nas fases iniciais —, há resistência a sua ação nos tecidos periféricos. Isso significa que músculos, fígado e tecido adiposo não respondem de forma eficiente ao sinal insulínico. Como consequência, o fígado pode continuar produzindo glicose mesmo quando os níveis sanguíneos já estão elevados, e a captação periférica torna-se insuficiente para normalizar rapidamente a glicemia após as refeições.


Além disso, pode haver alteração na secreção de glucagon, que permanece inadequadamente elevada mesmo na presença de hiperglicemia. Esse desequilíbrio hormonal contribui para picos glicêmicos mais intensos e prolongados após a alimentação.

Hiperglicemia e hipoglicemia

A hiperglicemia caracteriza-se pelo excesso de glicose no sangue e pode ocorrer tanto em jejum quanto após as refeições. Sintomas comuns incluem sede excessiva, fadiga, visão turva, aumento da frequência urinária e dor de cabeça.


Quando persistente, está associada a complicações cardiovasculares, renais, neurológicas e oftalmológicas.


Por sua vez, a hipoglicemia ocorre quando a glicemia cai abaixo dos níveis adequados. Os sinais costumam surgir rapidamente e podem incluir fome intensa, tremores, sudorese, palidez, tontura, confusão mental e visão turva. Se não tratada prontamente, pode evoluir para perda de consciência e coma.


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Fonte: João Roberto Resende Fernandes, especialista em Clínica Médica, médico do pronto-atendimento e do corpo clínico do Einstein Hospital Israelita (CRM 203006/RQE 91325).









 
 
 

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